Luis Largman, Diretor Financeiro e de Relações com Investidores da Cyrela conversa com a Ipê Invest
Por Denise Alonso - Market Watch Brasil
15/04/2009
Por que o investidor deve escolher comprar ações da Cyrela?
Largman: Bom, primeiro porque o mercado imobiliário brasileiro apresenta um potencial enorme, afinal é um mercado não atendido. O déficit habitacional no Brasil atinge sete milhões de casas atualmente. Além disso, o investidor de longo prazo poderá contar com ganhos sólidos e risco relativamente pequeno. Quando me refiro a ganhos sólidos falo dos dividendos pagos pela companhia.
Como se explica a alta de 30,4% das ações ordinárias no mês de março?
Largman: Explicam-se pela queda brusca anterior que não teve relação com os fundamentos da empresa. As ações da Cyrela foram precificadas pelo mercado no valor aproximado de R$ 32,00, com a queda da Bolsa de Valores, a mesma ação chegou a custar R$ 6,00. É um movimento irracional, considerando que os fundamentos da empresa não mudaram.
O Senhor poderia por gentileza nos contar sobre a trajetória de negócios da Companhia?
Largman: A companhia vinha crescendo bastante e, estava diante da seguinte situação antes da primeira Oferta Pública de Ações (IPO), poderíamos tomar empréstimos ou crescer via emissão de ações. Na Cyrela há um fator cultural em que preferimos crescer dividindo os riscos, preferimos não ganhar tudo sozinho, ganhar junto com os sócios. Escolhemos então ser e ter bons sócios, do que alavancar a empresa e torná-la endividada. A mensagem principal é queremos crescer, mas com o risco limitado, esses foram os motivos das ofertas públicas.
Como é a participação da Cyrela no mercado nacional?
Largman: A Cyrela Brazil Realty é a maior incorporadora de imóveis do Brasil. Muito conhecido no mercado de residenciais de alto padrão, atua também para médio padrão e mais recentemente no segmento baixa renda. Com o lançamento do novo pacote habitacional atenderemos os clientes com renda anual de R$ 20 a R$ 25 mil. Este novo negócio deverá representar 50% do faturamento da Cyrela. O segmento econômico, batizado como a linha Living, foi iniciado em 2006 quando lançamos 7000 unidades, em 2007 foram 5000 unidades e 2008, mais de 10.000 unidades.
Como é a atuação mundial da Cyrela?
Largman: A Cyrela é uma empresa regional, na realidade não há grandes empresas com atuação no mercado mundial, este é um setor que atua de forma pulverizada. No Brasil a Cyrela é a maior incorporadora, com market share estimado em 10%. Na América Latina estamos entre as 03 primeiras. A nossa atuação fora do Brasil acontece na Argentina, com a oferta de residencial de médio-alto padrão.
Quais são as estratégias de crescimento?
Largman: O nosso foco de crescimento nos próximos anos esta no cliente de baixa renda, resultado também do pacote habitacional lançado pelo Governo. Segundo a FGV (Fundação Getúlio Vargas), o déficit habitacional do Brasil soma a cada ano 1,5 milhão de moradias, aqui na Cyrela preferimos ser mais conservadores, então considerando que há 1,2 milhão como referência o potencial é enorme de crescimento tanto para o setor como para a Cyrela. Mas você percebe que este é um primeiro passo para corrigir o erro, e minimizar o aumento do déficit nacional de habitação, mas ainda não vamos resolver o problema do país em relação a este problema.
Um ponto importante é informar que as nossas empresas não alavancam como as empresas do mesmo setor fora do Brasil. Os imóveis aqui não subiram de preço como aconteceu lá, e ainda, o Brasil criou uma estrutura toda pronta para colher frutos para o futuro.
Você não acha que esta oferta de crédito pode ser um risco também?
Largman: De jeito nenhum. Somente para exemplificar, em 1980 foram financiados mais imóveis do que em 2008. Nós ficamos muito tempo atrás do que nós deveríamos estar. Acredito que em 1980, aproximadamente 500 mil imóveis foram financiados, e em 2008 quase 450 mil. O ponto principal é que estamos voltando ao ponto que estávamos na década de 80.
É possível comparar a oferta de crédito com a história ocorrida por esta oferta realizada nos Estados Unidos?
Largman: Nos Estados Unidos para a compra de um imóvel praticamente não havia investimento inicial. As pessoas estavam comprando seus terceiros ou quartos imóveis. Chamado de mercado “Second Home” (Segunda casa), a compra deste outro imóvel, portanto era especulativa, aqui no Brasil a procura é comprar um imóvel para deixar de pagar aluguel, e passar a viver. Um trabalhador com o mesmo nível salarial de um brasileiro possuía seis ou sete imóveis que adquiria na busca de uma renda com o aluguel, mas nem sempre conseguia honrar seu compromisso com a parcela do outro imóvel, desta forma a economia tornou-se insustentável.
Quais são as oportunidades e riscos dentro do segmento que a Cyrela atua?
Largman: A oportunidade está em todos os lugares, e os riscos são inerentes a atividade, nós estamos ligados a atividade econômica então para nós é muito importante que o desemprego não aumente, e que o PIB não se contraia substancialmente. A grande vantagem neste período é que o crédito é abundante para todos os segmentos, tornando a compra do imóvel extremamente atraente neste momento.
Quais são os planos para 2009?
Largman: Nosso foco é baixa renda, e nos demais segmentos de acordo com as vendas realizadas lançaremos novos produtos.
Como se encontra a distribuição acionária da companhia? Qual a representatividade do investidor pessoa física?
Largman: O investidor pessoa física é um investidor super importante para a Cyrela, ele tem uma participação superior a 10% na empresa, a ação da Cyrela é a mais negociada dentro de seu setor, certamente isso não ocorreria sem a participação relevante do investidor pessoa física. Atualmente o bloco de controle se encontra na faixa de 40%, o restante é free float.
A Cyrela pretende realizar oferta pública até o próximo ano?
Largman: Nestes preços não há o que pensar, não ocorrerá.
Como é feita a distribuição de dividendos?
Largman: 25% do lucro líquido distribuído anualmente.
Como funciona a área de RI?
Largman: É uma área que busca cobrir todos os aspectos de uma empresa do novo mercado, atender todos os tipos de investidores, trabalhar com foco na boa governança dos seus resultados, uma boa divulgação de informações, é uma área dedicada aos acionistas.
O investidor pessoa física tem algum canal de atendimento especial?
Largman: Na verdade especial é que ele é atendido exatamente como qualquer outro investidor, aqui não há privilégios para ninguém, a Cyrela participou de uma disputa realizada pela Revista Capital Aberto avaliando o atendimento oferecido ao investidor pelas áreas de RI, fomos classificados dentre os melhores no atendimento, aqui temos a cultura de que todas as pessoas são cliente e, portanto deverão ser bem atendidos.
Qual o recado que você gostaria de passar aos potenciais investidores da Cyrela?
Largman: Para aqueles que pensam no longo prazo é um dos poucos setores do mundo que há potencial de crescimento, além disso, esse setor aqui no Brasil é uma demanda não atendida. Atualmente ainda temos fartura para financiar empresas e investidores, isso é algo meio raro no mundo. A Cyrela e as empresas deste setor apresentam potencial de crescimento.
Para Investir: www.ipeinvest.com.br
Para Aprender: www.ipeeducacao.com.br
Para Informar-se: www.marketwatch.com.br
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